2012-10-23

o fato é que já estava dentro


A consciência se reflete na palavra como o sol em uma gota de água. A palavra está para a consciência como o pequeno mundo está para o grande mundo, como a célula viva está para o organismo, como o átomo para o cosmo. Ela é o pequeno mundo da consciência. A palavra consciente é o microcosmo da consciência humana.

Vigostsky   


E por estradas, curvas em conto, de curtas manhãs preestabelecidas, se efetua a aquisição de fraturas, tudo ou nada. As águas do mar que identifica a noite e o dia, como mal e bem, sem a dualidade, inscritos no relatório e a guardar entre o cenário o tom de diálogo consigo - o pensamento temperado com enigmas, cuja apreciação que se dá nas indagações.  As que rebuscam em labirintos e estão os fios secretos do mistério. Abrem-se mais claras ao esforço, o mais e menos visível, a olho nu transpor-se. Fincam-se e deságuam em respostas, como fotógrafo de rua, por janelas de oportunidades que descreve a tempestade magnífica da alma – a palavra como isca.  O segredo revelado que zela na prática do indagar, tanto silencioso, como anunciado, respostas que recheiam o bolo na manobra da arte; a atitude do processo. Sujeitos que na câmara secreta do mundo singular, indagam o mistério que são no processamento da informação: o viver! E com as paisagens em lábios, literalmente variantes, entre traços discretos, ou proclamados, a escapar entre os dedos, e de visão limitada, como aprendentes a discorrer através da comunhão das sensações, a linguagem do sopro. Do saber que a natureza varia associada à pintura de unidades descritivas ao impressionismo abstrato. E pela veia da memória se traça mentalmente o cotidiano aquarelado do eu, em busca sedenta de si mesmo, ante a palavra ecoada na tela. A que se personifica sem palavras para expressar a face do relógio. O modo poético da apresentação aparente das tais peles, a ser feito de destroços, pela caça de outras primaveras. O gerar que aduba. E nunca nada está morto, apenas se espera. Escrito nas horas apertadas, quando o café está pronto para depositar a confiança e visualizar o que existe no ilógico. O articular dos sentidos com um claro enigma que ao penetrável é propício para o instante. O pensar de menino que capta os pensamentos alheios, põe frente a frente à docência, por causa da potência do olhar. E inconscientemente está a verdade. A música que cheira perguntas e poetiza reflexões, se encaixa lua quadrada, terra têmpera e tempo limitador, à procura da saída. A biografia bem vestida da cidade como triviais às complexas, dos embates da vida e da morte, com perguntas salivantes e respostas em preces intensas e mais apetitosas, por serem insaciáveis, postas à prova a cada itinerário. A maturidade na desorganização da posição de observador e observado, pelas rotas que remetem retornar ao ventre, por se estar inserido num mundo controlado por leis e códigos. E enxerga a leitura do se perguntar a ser mais difícil, por respostas impossíveis de serem ações, pelos buracos que estão sempre adiante, pelo significado de que ser adulto não se incita mais a criação.  Nas cinzas se faz domado pelo mundo do dia bruto, tão profundo de sono; o aborto da viagem fora do tempo.


Canteiro Pessoal
Adélia Prado- Bagagem

readaptação do "Vita procedit..." de  Moacir Willmondes

5 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Excelente.
Surpreendes sempre.
Um abraço, querida amiga Priscila.

Cizim Alves disse...

Os impulsos são rios que tudo arrasta, mas o bom nadador sabe direcionar o curso mergulhando no inconsciente e dele tomando fôlego para incansáveis braçadas.

Você nadou de braçada, nesse texto.

Parabéns!

Com ou Sem conclusões disse...

o quarto é retrato de nossa alma. Tinha escrito um bucado sobre essa frase apouco, mas deu erro.. Gostei daqui! Volto. =]

Secreta disse...

Entre palavras de sentires, vamos caminhando, á procura daquilo que melhos nos reflete.
Beijito.

Nilson Barcelli disse...

Priscila, minha querida amiga
Os meu votos de um FELIZ ANO NOVO.
Para ti e para os que te são mais queridos.

Beijo.