2013-09-23

as palavras se destacam e se enlaçam

O mistério do amor é maior que o mistério da morte.
 
Wilde, Oscar
 
 
 


Estou ao outro pólo da verdade, procurando entender o que vivi e não sei a razão da verdade clamada, enfatizando a fragmentação e amarrando-me nessa desorganização ininterrupta entre a razão e o delírio. Na luta diária, para grafar, antes me perfumo toda, numa densa selva de palavras, com o descortinar voraz, assegurando-me em aventuras e desértica, que confirma o mundo como eu não tinha, onde engasgo no meu novo modo de ser, para caber na linguagem que se move e alimentar-me diretamente da placenta. No entanto, a minha infância, a tal aleluia, me resgata como num laboratório onde se encontra o que se quer encontrar. Já, como adulta, a coragem infantil, não me prende, que de tão fugido não é mais porque se torna mudo no espaço. E, necessito ser presa na liberdade – estar na abstração do que se sente. Obrigo-me à nudez do reconhecer nas sílabas cegas de sentido, com os esbarros da minha falta de inteligência, que me desdiz no caminho, para trilhar ao despertar para além do despertar. O raciocínio vista pela vida aprofundo em dizer: falta-me, e me deparo com grandes restrições e pela descoberta de um império dentro da minha pele. Estremeço toda! Tenho medo do amor? Entrar no quarto, o que era o ápice? Inicio a composição, ao que parece, para poder entender-me pelo alguém: o inconsciente. Assim, cara a cara com o duro sol. Começar a fazer sentido, estando no tremor das linhas, mas com a fineza para manusear o tecido da vida, que tem a veia que pulsa. Os meus limites me dão a sensação de incômodo e abstenho-me das perguntas por que a verdade cabe dentro da minha época. Agora, não é sabido de um segredo, e estou assustada! E neste exato instante consigo me entregar à expectativa do silêncio. Dormitar de tanta beleza, com a grande força da criação. As mãos a alguém que é a alegria que aguardo. No começo, só no começo, invento o rosto, os olhos e a boca para completar a metamorfose. Mas, a tradução do desconhecido, com a palavra natural a dizer, como a reprodução de uma expressão através da fotografia do mistério, me salva. 

Canteiro Pessoal

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Tens mesmo um império sob a tua pele.
Mas não tenhas medo do amor...
Foste brilhante neste texto, como sempre o és, aliás.
Priscila querida, tem uma boa semana.
Beijo.

Jorge Pimenta disse...

algures entre o que sabemos e o que apenas julgamos saber. toda a verdade em metamorfose serena.

beijos, priscila, regozijando com este reencontro de todo o tempo.

grato pelo teu carinho no viagens de luz e sombra que ficou atolado bem junto ao mar. entretanto, o aço enferrujou, tanta a chuva que caiu acabando por se converter em resquícios de orvalho, orvalho do fim do medo, o meu atual porto de abrigo: http://oorvalhodofimdomedo.blogspot.pt/

Nilson Barcelli disse...

Priscila, minha querida amiga, voltei para te ler e para te desejar um bom fim de semana.
Beijo.

Dri Monteiro disse...

Tuas palavras sempre arrancando-me sensações... a mensagem que você passa transborda beleza. O amar causa confusão, sim... mas não há regras ou linhas certas de raciocínio. O sentir é mais importante e belo, de uma forma ou de outra. Beijos Priscila, boa semana!